domingo, 26 de outubro de 2008

PERDAS

Perdi muito em quinze dias. Mas perdi tanto, como sempre é possível perderem os que andam no sentido contrário das coisas sem sentido. Refiro-me às recém-terminadas eleições municipais.
Explico.
Perdi na pequena cidade onde moro. Perdi na cidade grande onde morei por quase toda a minha vida e que ainda é uma segunda cidade para mim, pois tenho meu cordão umbilical ligado a ela. Estas duas cidades são, pela ordem, Buritama e São José do Rio Preto, ambas em São Paulo.
Perdi na capital paulista, onde vivi algum tempo durante a juventude e que aprendi a amar como amo a minha São José do rio Preto.
Perdi na cidade do Rio de Janeiro, onde eu não queria a continuidade de um governo que mata inocentes pelas ruas e pratica torturas no serviçõ de segurança pública.
Enfim, perdi, perdi, perdi e perdi. Será que algum dia vou ganhar? Ou terei que entrar no jogo dos poderosos e aceitar essas coisas que eles conseguem meter nas cabeças dos não politizados, que se deixam levar por palavras e por falsos sorrisos, por não conhecerem história?

Eleições em São Paulo

Um pouco triste, pressinto, pelas últimas pesquisas, uma vitória de um cadidato do Democratas ao governo municipal da cidade de São Paulo. E posso explicar as razões da minha tristeza.
1- A população puco politizada não sabe o que representa o DEM, que passa muito longe da democracia, desde que trata-se do antigo PFL, que era PDS, que era ARENA, o regime torturador dos governos militares.
2-Esse governo, assim como o de Serra no governo estadual, vai atender muito mais às elites, aos consumidores da Daslu, dos shoppings caros da cidade, dos condomínios de luxo e dos ditadores de plantão: o capital, a mídia e os corrpuptos de terno e gravata.
3- A criminalidade continuará sendo reprimida com prisões e torturas e jamais com educação, moradia e saúde. Mas quem se importa com isso? Quem é preso, torturado e mora em barracos não tem direito à cidadania. Isso é para quem tem dinheiro e boa posição social.
Lamento muito que um homem do qual acompanhei a carreira política desde o seu primeiro cargo até agora, possa vir a ser prefeito de São Paulo e ajudar José Serra a chegar ao Palácio do Planalto.
Por fim resta-me chorar um pouco e avisar: A CATÁSTROFE SE APROXIMA, pelo menos para quem vive abaixo da classe média.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Eloá, a Imprensa e a Polícia

Agora que tudo acabou mal, em mais um caso de mocinha, bandido e polícia, não podemos deixar de negar que a grande vilã do caso Eloá não foi sua criação familiar, seu namorado e tampouco a polícia. Se culpas há de todas as partes (e isso é evidente), o desfecho não teria sido trágico se não fosse a ganância circense de uma imprensa apodrecida pelos costumes de uma sociedade pouco civilizada que se excitou ao extremo com o desenrolar dos acontecimentos.
Tivessem os urubus midiáticos um mínimo de bom senso, sem quererem trabalhar como "negociadores", en troca de uma audiência desqualificada e sadomasoquista, as coisas teriam seguido um caminho menos traumático. Provavelmente não teríamos uma adolescente de quinze anos morta, uma outra ferida (e poderia ter sido gravemente) e um jovem arrebentado pela truculência policial que ainda insiste em fazer justiça com as próprias mãos, utilizando-se de métodos de tortura, conforme aprenderam com os norte-americanos, que os repassaram para nossa recente ditadura militar.
Agora é tarde para chorar, mas ainda é tempo de a imprensa cumprir sua função de informar sempre, sem escândalos exagerados e sem querer ser dona da verdade, pois isso é o que ela nunca é, salvo raríssimas e pouco conhecidas exceções.

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