sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Eloá, a Imprensa e a Polícia

Agora que tudo acabou mal, em mais um caso de mocinha, bandido e polícia, não podemos deixar de negar que a grande vilã do caso Eloá não foi sua criação familiar, seu namorado e tampouco a polícia. Se culpas há de todas as partes (e isso é evidente), o desfecho não teria sido trágico se não fosse a ganância circense de uma imprensa apodrecida pelos costumes de uma sociedade pouco civilizada que se excitou ao extremo com o desenrolar dos acontecimentos.
Tivessem os urubus midiáticos um mínimo de bom senso, sem quererem trabalhar como "negociadores", en troca de uma audiência desqualificada e sadomasoquista, as coisas teriam seguido um caminho menos traumático. Provavelmente não teríamos uma adolescente de quinze anos morta, uma outra ferida (e poderia ter sido gravemente) e um jovem arrebentado pela truculência policial que ainda insiste em fazer justiça com as próprias mãos, utilizando-se de métodos de tortura, conforme aprenderam com os norte-americanos, que os repassaram para nossa recente ditadura militar.
Agora é tarde para chorar, mas ainda é tempo de a imprensa cumprir sua função de informar sempre, sem escândalos exagerados e sem querer ser dona da verdade, pois isso é o que ela nunca é, salvo raríssimas e pouco conhecidas exceções.

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